quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Lá o vento corria como se não houvessem barreiras e banhava as noites com melodias harmoniosas no meio dos gemidos do alto do vale e o toque do pandeiro de José. No dia seguinte, entre as ruelas e casinhas daquela vila era só nisso que se falava. Bem no alto do vale, naquele pontinho de luz aceso, havia uma festa de amor. Os gemidos de Antônia eram, de longe, os sons mais lindos daquela noite e ecoavam forte como o vento, forte como quando seu toque se confundia com o de Joaquim. Era noite calma e no coreto a capoeira da madrugada era regida pelo berimbau de Salomão. O velho bêbado do bar da esquina, aquele que não tem nome, cantarolava músicas de saudade e dor lembrando de sua finada companheira. E assim como ele, as pessoas que se incomodaram de alguma forma com aquilo, só queriam amor e um corpo quente nas noites de ventania. Mas não naquela. Aquela noite a festa foi de Antônia e Joaquim, pois eles souberam fazer a festa mais linda e mais sincera que o som de qualquer berimbau, que qualquer música com qualquer saudade.
Não teve lua, não teve vento, não teve nada que impedisse aquele amor de ser pleno.