terça-feira, 27 de outubro de 2015

Enquanto canto te aguardo. O amor tarda e a saudade não falha...muito menos mata. Mas dói, ou incomoda, ou o que quer que seja. Ela se faz presente. Foi você quem disse que não chegaria tarde. Eu te esperei e ainda espero.
Divido o tempo entre fumaça, música e você. Em outros corpos e outras camas. Mas nada sacia minha vontade, por isso te espero.
Descobrimos uma forma tão natural de saciar nossas vontades que eu mal acostumei. Que venha outro dilúvio e destrua tudo! E outro começo, e outro e outros. Que no começo tudo é bonito, amor. E também mais fácil, mais fluido, mais leve. Essa nossa preguiça em encarar os fatos e procrastinar diante de qualquer situação que exija um pingo de atenção me incomoda bastante. Mas sem reclamações. Aprendi a unir o incômodo ao silêncio e deixar um digerir o outro...
Tinha certeza que te amar por muito tempo acabaria comigo. E por isso pulei de ponta, de peito, de pé, de pau.
Poematizei possibilidades plenas por puro prazer (de) passar. No começo achava tudo aquilo maravilhoso, claro. Me encantava até não caber mais. Mas ia acabar comigo, eu me conheço. E digo que passar é melhor. Vamos começar de novo sempre!

Você pacifica
quando quer.
Você passa
e fica, 

se quiser. 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

abrir o olho já não é prioridade enquanto sonho, parece que vivo mais sinto que existe uma fluidez do tamanho da aleatoriedade deles os passos não são os mesmos a voz, a visão, a fala e tudo o que vier a sentir nada é o mesmo. nunca descobri que sentir falta de sentir algo tão específico é perda de tempo. a única hora em que se pode sentir é quando se sente. as vezes algumas lembranças surgem por sensações e vice versa é como sonhar que vai alcançar a corda; corre, pula, voa.. mas não. hoje um amigo mostrou uma poesia era tão concreto e subjetivo quanto falar da existência e era esse seu assunto " você existe tanto que não cabe aqui "... não cabe no pensamento, nem no sonho muito menos no que chamamos de real tamanha compatibilidade transborda e satura de tão bom que pode ser (?), que foi (?) não tenho ideia e nem quero ter. dois corpos não ocupam o mesmo lugar não quando satura saudade, pra mim, é um sentimento completamente atrelado à memórias físicas e psicológicas lembro e sinto penso e sinto sinto e sinto A cada passo me despeço de quem fui... enquanto isso sonho, me lembro e resisto pra continuar existindo.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Passeiam passos
palavras pulverizadas
pulsam.
Polidas pelo pesar.
Parir, poder
partir, perder
perdão.
Promessas proliferadas
pregam paz
por quê?
Pelas praças
putos, putas, pássaros
partilham poemas
póstumos.
Poder
pedir
Piedade
Paredes prendem
pessoas poluídas
pelo pensar
Pensamento:
Prisão pré programada
para preencher perdas
partes (de) promessas perdidas
(em) palavras pulsantes pedindo
PARE !
Sensação de agonia e pequenês como quando o dedão fica de fora da coberta na noite mais fria da sua vida. Mas o rastro da lua na água do rio era a imagem mais incrível do mundo. Talvez por ser momento e sensação ou por ser a definição exata de reflexo; a força natural mais precisa da qual me recordo. E aquilo preenchia, transbordava e bastava.
Vida é momento, instante,
aqui
agora.

terça-feira, 10 de março de 2015

passos leves.
Como quem pisa em folha seca e não quebra. Passos que tocam o solo e a terra pede silêncio.

ao passo que passo.
e peço silêncio.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

sobre parir

e cada vez que pari, palavras nasciam mais e mais preparadas pro mundo. Cada vez mais afiadas também. saiam frescas, quase impronunciáveis. tive que aprender o significado de várias delas de novo. Mas pareciam fazer parte de um todo, por carregarem tanta firmeza, incisão. São palavras que canalizam todas as quinas de um sentir, aquelas que enchem os olhos do poeta e o coração de quem ouve. Trazem consigo uma responsabilidade quase imperceptível. Falta atenção
Palavras têm poder. Que despertam, que derrubam... elas são causa e efeito.

 *Quanto a parir, nunca vou saber realmente como é, mas acredito que vida e morte são sensações parecidas. Aqui, prefiro parir ao morrer.* parir palavras para explicar sensações, parir palavras explicar o que(?), parir sensações explicar palavras, parei.

e cada vez que nasci, engatinhei mais e mais preparado pro mundo.
mas só pude nascer através das palavras. De alguma forma, elas me tiram e repõem a vida.
eu vim de lá!
e trouxe comigo a responsabilidade de sentir.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Lá o vento corria como se não houvessem barreiras e banhava as noites com melodias harmoniosas no meio dos gemidos do alto do vale e o toque do pandeiro de José. No dia seguinte, entre as ruelas e casinhas daquela vila era só nisso que se falava. Bem no alto do vale, naquele pontinho de luz aceso, havia uma festa de amor. Os gemidos de Antônia eram, de longe, os sons mais lindos daquela noite e ecoavam forte como o vento, forte como quando seu toque se confundia com o de Joaquim. Era noite calma e no coreto a capoeira da madrugada era regida pelo berimbau de Salomão. O velho bêbado do bar da esquina, aquele que não tem nome, cantarolava músicas de saudade e dor lembrando de sua finada companheira. E assim como ele, as pessoas que se incomodaram de alguma forma com aquilo, só queriam amor e um corpo quente nas noites de ventania. Mas não naquela. Aquela noite a festa foi de Antônia e Joaquim, pois eles souberam fazer a festa mais linda e mais sincera que o som de qualquer berimbau, que qualquer música com qualquer saudade.
Não teve lua, não teve vento, não teve nada que impedisse aquele amor de ser pleno.