A porta se abriu aos poucos, devagar...E com o passar dos dias a tristeza ia embora, também devagar.
Mas a abertura deixava espaço suficiente para entrar um vento suave que sussurrava aos ouvidos dizendo
coisas boas e trazendo paz. Fazendo esquecer da dor, servindo como morfina e companheiro indispensável
naquele momento difícil.
Foi se soltando, ficando mais leve com a ajuda do vento. Ao ponto que essa relação obteve tanta sintonia
e bem estar, que se formou uma recíproca necessidade de encontros e conversas. O vento que, para soprar,
naturalmente tinha de passar por aquela porta e desenhar todas as curvas do corpo com o qual tanto se
identificava, ficou surpreso ao se encontrar em tal situação. Logo ele, que sempre fizera caminhos
diferentes. Sem rumo, sem direção...
Bastou a sintonia oscilar por um momento para haver uma turbulência e fazer com que essa relação tão
repentina e agradável se tornasse algo frio e silencioso.
Mas foi necessário. Fez pensar e dar tempo para digerir tudo, entender o que se passava. Apesar das
lembranças, das curvas, inúmeros tragos tão sensuais e olhares que conversavam por si.
Após um tempo sem passar por aquele caminho (sem respostas, mas com perguntas. Sem qualquer pressa,
mas com vontade), ele voltou suave, em uma das noites solitárias, e soprou em seu ouvido -fazendo se
lembrar de todos os momentos em que ouviu seu choro, trazendo consolo, conforto e algo a mais- dizendo:
-Deixe sempre a porta aberta.
02/06/12
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