terça-feira, 21 de outubro de 2014
caronas #2
Hoje foi aquele dia em que chove depois de uma seca fora do normal e todo o concreto instaurado no cerrado sente o peso de não pertencer ao lugar. O caos contrasta com a plenitude do Sol se manter enquanto chove, das cores, formas e vida sendo exalada de seu habitat natural. E Lucas me falava sobre como a água da chuva que descia na pista se parecia com a infinitude de um rio, que não importava o que viria pela frente ou a superfície por onde passaria. No meio de tanta conversa no caminho até em casa, horário de pico e engarrafamento, essa foi uma das poucas coisas em que prestei atenção com atenção. E falava, e repetia, e alterava o tom de voz como sempre faz quando algo lhe atrai. Observava atento o bom manipulador de palavras que estava ao meu lado. Poeta? Poeta! Quando quer, faz. E o brilho em seu olho me fez olhar no espelho e ver que o meu também brilhava. Gargalhei sozinho e contei a piada. Atribuo metade do brilho ao cigarro de palha fumado durante o engarrafamento, e outra metade a poesia que ele fazia por puro prazer de fazer.
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